Artigo: A docência na defesa da formação plena e crítica de jovens

Por Silvana Suaiden (*)

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A docência, inevitavelmente, nos coloca diante do desafio de formar jovens para a vida e não apenas de transmitir conhecimentos. Mas, para que mundo os formamos? Que tipo de cidadãos nós queremos?

Os professores e professoras que atuam no meio universitário se encontram, cada vez mais, com desafios gigantescos, não apenas os inerentes à nossa profissão, como também os provenientes do nosso tempo que, psicologicamente, não é vivido da mesma forma pelos alunos e alunas que encontramos. Estes, com certeza, estão mais familiarizados com as novas tecnologias e imersos nos novos sistemas de informação, porém, quase sempre desprovidos de discernimento e critérios para escolhas conscientes e qualitativas em suas vidas.
A cada dia, o fácil acesso às informações de todo tipo dá aos jovens a possibilidade de acercar-se mais e mais à plural realidade que os cerca. No entanto, o universo da informação não lhes proporciona, de forma autônoma, o discernimento para filtrar o que é necessário para sua formação profissional/integral e nem de uma profunda consciência de si e do mundo que os cerca. Nem mesmo as instituições escolares, em sua maioria, têm acompanhado a tempo tais mudanças, procurando muito mais corresponder aos interesses do mercado educacional que, verdadeiramente, às necessidades sócio educativas dos jovens deste tempo.

Além de trabalhar o conteúdo próprio da disciplina ou área na proposta curricular, o/a docente se depara cotidianamente com as condições de trabalho – nada ou pouco favoráveis – e as deficiências do próprio sistema de ensino que encaminha às universidades significativa parcela de jovens com carências na alfabetização, representantes de uma sociedade com pouco ou nulo incentivo à leitura, ao estudo e ao pensar. Não sem razão, nos deparamos cotidianamente com o aumento de jovens desmotivados para o saber e até mesmo para o compromisso com a profissão escolhida, impactados pela cultura do entretenimento e tomados por posturas rígidas, quando não, intolerantes diante da diversidade humana, manifestando opinião fechada no senso comum e nas informações fragmentadas ou pouco confiáveis adquiridas pelas vias midiáticas.

Se democrático, o sistema de ensino jamais impedirá que jovens se expressem, se organizem e lutem por seus direitos e melhores condições de estudo e garantia de futuro. À/ao docente, cabe o desafio de ser formador/a de uma nova consciência, fonte de diálogo por um conhecimento tão especializado quanto plural, orientador do pensamento crítico, democrático e ético diante de um mundo que cultua a imagem da juventude, negocia seu presente e sacrifica seu futuro.

A Apropucc, preocupada com os desafios que o atual cenário político e sócio cultural impõe à universidade e à juventude, promoveu uma aula pública (disponível no site da entidade) sobre o papel da Juventude e suas contribuições na história de lutas do movimento estudantil e na conjuntura atual.

Conscientes de nosso compromisso com a defesa da formação plena e crítica da juventude, seguiremos atentos a este segmento que é a promessa de um futuro melhor para o nosso país.

* SILVANA SUAIDEN, professora teóloga na PUC-Campinas, vice-presidente da Apropucc e diretora do Sinpro (Sindicato dos Professores) de Campinas e Região.

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