Carta Capital: Sem investimento em ciência, o Brasil não terá solução

O cientista brasileiro é, antes de tudo, um malabarista. Na foto, mostra organizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações visa a apresentar trabalhos produzidos nos institutos de pesquisa brasileiros

O cientista brasileiro é, antes de tudo, um malabarista. Na foto, mostra organizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações visa a apresentar trabalhos produzidos nos institutos de pesquisa brasileiros

Ao final de cada ano, várias retrospectivas são publicadas. Muitas sobre economia ou negócios, outras sobre dinheiro ou política.

Não foi surpresa a publicação das 70 maiores personalidades bilionárias do país, entre elas, alguns empresários industriais, outros varejistas, mas a maioria banqueiros.

Por outro lado, poucas são as listas ou reportagens sobre os maiores cientistas ou as mais importantes descobertas, embora, felizmente, alguns veículos ainda se dediquem a fazer matérias sérias e importantes para divulgação e popularização da ciência.

Apesar desses esforços, muitos ainda não conhecem ou duvidam dos benefícios da ciência e do quanto a mesma se desenvolveu em nosso País.

Todos os cientistas entrevistados ultimamente são unânimes em mostrar sua preocupação com o futuro, com a possibilidade de perda das pesquisas em andamento ou de falta de manutenção de grandes equipamentos que produzem muito para um número considerável de pessoas.

O orçamento de 2017 para ciência apresenta um enorme corte que precisamos reverter.

Não é necessário muito para verificarmos que entre os temas mais importantes da atualidade na área científica estão os estudos para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para cura ou tratamento das doenças que assolam a humanidade, as pesquisas genômicas com o objetivo de entender e curar doenças atualmente incuráveis (cada vez mais frequentes), como o câncer ou o Mal de Alzheimer.

Há também os grandes avanços em informática e comunicação, como as novas metodologias 5D, a nanotecnologia e os novos materiais que podem substituir a pele humana e outros tecidos, além das fantásticas descobertas sobre a origem da espécie, a origem e a observação para a compreensão do universo.

Cada vez mais as grandes potências investem em ciência e tecnologia, bem como nas grandes áreas, dentre estas, os estudos sobre câncer, envelhecimento, segurança alimentar, energias renováveis, água e qualidade de vida.

Toda nossa inteligência e capacidade interdisciplinar têm se voltado para estes assuntos dentre outros tão importantes, mas que visam atingir maior qualidade de vida ou a conservação da espécie.

No Brasil, não foi diferente. Nosso sistema de ciência e tecnologia se desenvolveu ao longo de todo o século XX, embora os investimentos tenham sido sempre menores do que a nossa necessidade populacional e de desenvolvimento.

Mesmo assim, houve grandes avanços na área da Medicina, Física, Antropologia, Geografia, Astronomia e Sociologia.

Não raro, cientistas brasileiros figuram entre os maiores e mais proeminentes do mundo, apesar da falta de condições favoráveis para o desenvolvimento de pesquisas, que vão desde de poucos recursos até a falta de pessoal ou de infraestrutura.

O cientista brasileiro é antes de tudo um malabarista, que se destaca por sua simplicidade criativa, capacidade de interagir e compartilhar, aliada a uma invejável interdisciplinaridade natural.

Uma pesquisa recente mostrou que alguns dos cientistas brasileiros têm excelente destaque nas áreas de novos materiais e Biomedicina, segurança alimentar e metabolismo, na Medicina em diversas áreas e na Física, particularmente a climática e ambiental.

Por outro lado, um artigo recente mostrou o quanto projetos importantes para o país, como os avanços em terapia fotodinâmica na cura do câncer de pele, o funcionamento de um importante computador capaz de analisar a estrutura do zika vírus, os estudos com os animais da Amazônia e os equipamentos que analisam e exploram o mar costeiro brasileiro sofrem com a falta de recursos para manutenção das pesquisas.

Atualmente, em nosso país, muitas áreas se destacam com brilhantismo.

Entre elas, os estudos sobre a origem da vida e da espécie humana, a interface entre homem e máquina, que ajudam deficientes físicos, a Física Quântica e de partículas que podem gerar energia, o desenvolvimento das células tronco para a regeneração celular e tratamento de doenças, a obtenção de novos medicamentos, assim como de novos materiais, como sintéticos.

O Brasil também se destaca fortemente nos transplantes de órgãos, assim como nos estudos dos distúrbios do sono, do abuso de drogas, o desenvolvimento de novas sementes e insumos, na robótica para diversos usos, na irrigação e agronomia e, de forma impressionante, na área da aviação.

Boa parte dessas pesquisas geram produtos, melhoria da condição social e humana, além de desenvolvimento econômico em larga escala.

Nos Estados Unidos, os mesmos bilionários do sistema financeiro, que têm muito mais destaque e poder, defendem e criam mecanismos cada vez mais sofisticados de investimento em ciência e tecnologia.

Todos sabem que suas economias dependem e se beneficiam desse setor.

Lá também a maior parte da ciência é desenvolvida com recursos públicos, ao contrário do que imagina a maioria desta parte sul do hemisfério.

A diferença é que existe forte investimento privado; nossos bilionários ainda não participaram e parecem pouco interessados.

Ciência gera conhecimento e tecnologia, que por sua vez forma pessoas, gera inovação, produtos, que se bem regulados pelo Estado podem ser transferidos para uma qualidade de vida melhor.

Esse sistema gera empregos e uma população mais saudável, mais desenvolvida e pronta para produzir cada vez mais, gerando o crescimento da nação.

Sem ciência, não teremos solução.

Seremos apenas os compradores e reprodutores da tecnologia alheia, pagaremos caro por isso e não sairemos da condição subordinada.

Que nossos governantes e empresários não deixem de enxergar isso em 2017.

Que os investimentos sejam recuperados e que possamos ter um forte ciclo construtivo e de movimentação da vida acadêmica, universitária e social.

Tomemos ciência e sejamos felizes em 2017!

Fonte: Carta Capital

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