Representação Docente no Consun faz pronunciamento sobre a carreira docente e avaliação de ensino

A representante docente no Consun, professora Viviana Aparecida de Lima apresentou ao colegiado algumas reflexões que envolvem a Carreira Docente e Avaliação de Ensino e se constituem em desafios a serem enfrentados ainda no próximo semestre.

Considerando que, a chegada do próximo semestre anuncia uma conjuntura singular, marcada pelo encerramento da atual gestão da reitoria e demais instâncias gestoras da Universidade, faz-se necessário algumas reflexões que se desdobram em desafios para o novo ciclo que se abre da vida da instituição. Dentre os vários desafios em constante enfrentamento, dois se constituem particularmente estratégicos para a consolidação da PUC-Campinas como Universidade. O primeiro deles está relacionado à implantação da carreira docente, ainda em construção e revela necessidades de análise de todos os problemas que envolvem seu processo de implementação.

Outra questão ainda não superada e se constitui importante ponto de contato é a ausência da declaração de vagas em cada categoria e nível, contida nas diretrizes da carreira docente e prevista para ocorrer em dois anos de sua implantação cuja não efetivação resulta no impedimento da execução das promoções horizontais e verticais.

Se considerarmos que todos os docentes estão em carreira, a efetivação das promoções significa o reconhecimento e a valorização profissional de dois terços do segmento docente. Já para os docentes em jornada de 40 horas, que compõem um terço de todo o corpo de professores, é fato que o modelo de carreira adotado, não oferece as melhores condições para o professor responder às demandas e exigências internas e externas.

O total de 20 horas-aula para compor a jornada, significa em muitas situações, assumir várias turmas em vários cursos, compondo um número excessivo de alunos. Essa situação precariza as condições de trabalho do docente pesquisador, que para galgar esta condição se lança aos concursos para compor a sua jornada com disciplinas muitas vezes distantes do seu objeto de estudo e aprofundamento. A descaracterização das áreas do conhecimento, contidas nas regras do concurso, permitem a participação no processo seletivo pela existência das áreas afins, já várias apontadas pela Associação Docente como inadequadas, potencializam essa distorção e comprometem o núcleo do conhecimento das diversas áreas.

É fato que sobre esse conjunto de docentes em jornada de 40 horas recai a responsabilidade de assumir o protagonismo dos diversos processos internos e externos inerentes a sua situação. Observamos a necessidade de uma política interna de maior valorização desse protagonismo. Defendemos que o corpo docente deve ser reconhecido como um todo integralizante da instituição, que, neste momento com papéis distintos, precisariam ser valorizados pelo seu fazer docente e seu comprometimento com a produção e socialização do conhecimento em diversos níveis da universidade.    

Todo este processo guarda intrínseca relação com as avaliações de ensino realizadas pelos alunos e docentes, cujo entendimento é de que não deva ficar restrita aos momentos finais de semestre, mas que outras iniciativas possam compor o processo avaliativo e sejam consideradas tão igualmente significativas pelos sujeitos diretamente implicados com o processo ensino-aprendizagem. Professores, alunos e gestão devem se responsabilizar pelos processos que sustentam o projeto político pedagógico dos cursos. Nesse aspecto, identificamos certa ausência de capilaridade entre a reitoria e algumas instâncias gestoras no que se refere à leitura, interpretação e implementação das diretrizes definidas pelas políticas universitárias.

A avaliação de ensino realizada nos últimos dois anos pelos alunos deve dialogar com a avaliação de ensino realizada pelo docente, que possibilita informar sob que condições o trabalho do professor se realiza bem como ampliar a visão sobre o processo ensino aprendizagem como um processo vivo e vivido em ato pelos diversos sujeitos que o compõe.

O debate sobre estas questões deve permear o processo sucessório da reitoria, diretores de faculdades e centros, para que possamos realizar o debate próprio ao espaço plural da universidade.

 

VIVIANA APARECIDA DE LIMA
Representante Docente no CONSUN
Presidente da APROPUCC