Avaliação de ensino
A Apropucc tem discutido a importância da avaliação de ensino ao longo dos últimos anos, mesmo antes da avaliação se tornar uma exigência do MEC.
Em várias oportunidades de debate sobre o tema, promovidas pela entidade, pudemos contar com valiosas contribuições de docentes pesquisadores da Unicamp e da própria Puc, especialmente da Faculdade de Educação, que em muito nos ajudaram a compreender a necessidade de criar espaços de reflexão e ação para que a avaliação interna ocorresse, com objetivo de criarmos nossos próprios indicadores de avaliação no que se referia à avaliações de ensino, docente, de gestão e a autoavaliação.
Vale lembrar que esse processo em alguns momentos, foi permeado por tensões, e por conseqüência algumas lutas foram desenvolvidas pelo movimento docente, sobretudo quando da tentativa de implantação da avaliação docente por uma agência externa que, em nada considerava naquela conjuntura, a nossa luta em defesa da autonomia e da democracia na universidade
Nos últimos três anos, a Apropucc tem participado e acompanhado o processo de implantação da avaliação de ensino desenvolvida pela Pró-reitoria de Graduação. Participamos da etapa de elaboração dos instrumentos, com sugestões e reflexões sobre o processo.
O início do processo de avaliação de ensino ocorreu pela avaliação realizada pelo estudante que, ao avaliar a disciplina, também avalia o docente responsável por ela.
A Apropucc entendeu, naquele momento que, mesmo sendo considerado um início de processo, não era adequado que apenas o aluno tivesse voz e o docente não.
O receio de uma utilização equivocada da avaliação de ensino era uma constante vivida pelos professores. O movimento docente passa a ficar atento às ofertas realizadas pela instituição para que as dificuldades com avaliação pudessem ser enfrentadas e superadas, bem como redobrou sua atenção aos possíveis desligamentos de docentes, justificados pela gestão, como problemas com a avaliação de ensino apontadas pelos estudantes além de insistir na necessidade que a avaliação contemplasse a avaliação de gestão e autoavaliação.
A Apropucc reafirma sua posição explicitada desde aquele momento, qual seja, a de que não concorda com avaliação de ensino, realizada pelos estudantes, como sendo o único indicador definidor da vida do docente na instituição.Continuamos insistindo na necessidade de se ter assegurada que a avaliação de ensino hoje realizada pelos estudantes e professores e, que envolve a autoavaliação e a avaliação de gestão, tenha seus resultados considerados como instrumento de gestão no sentido mais amplo da qualificação do ensino.
Com essa convicção é que externamos nossa posição, à Pró-reitoria de Graduação em audiência realizada sobre o tema na semana passada e, reafirmamos que, qualquer denúncia de demissão de docentes, cujos motivos sejam ancorados tão somente pelo indicador gerado pela avaliação de ensino realizada pelos estudantes, será apurada pela entidade e as instâncias competentes da instituição serão acionadas para prestar esclarecimentos sobre todos os aspectos do processo.
Quanto aos gargalos ainda existentes no processo e que, são objeto de críticas por parte do movimento docente, estão aqueles relacionados ao pequeno número de alunos participantes para avaliar as disciplinas, diferentemente do que ocorre quando analisamos o conjunto da universidade e até mesmo dos centros, onde a participação é maior. Para o professor é tão preocupante ser bem avaliado por um número pequeno de alunos quanto ser mal avaliado.
Outro aspecto está relacionado ao anonimato. A Pró-reitoria afirma que não há um estímulo para que essa prática aconteça. A Apropucc entende que o anonimato é um problema que deva superado, sobretudo quando há ofensas pessoais e ou críticas sem contextualização ao processo ensino aprendizagem que comprometem a imagem do docente que se vê impossibilitado de se defender de uma acusação.
Não podemos admitir que registros dessa natureza ocorram e menos ainda que sejam levados em consideração por parte da gestão local.
Para que o esvaziamento de significado de práticas como essa possa dar lugar a proposições responsáveis para com o processo, é preciso reafirmar cada vez mais que a avaliação deva ser parte integrante de uma ambiente cujos princípios democráticos devam ser assegurados. Mesmo a avaliação de ensino acontecendo ao final de cada semestre, não impede ou invalida a necessidade de que os espaços de discussão nas faculdades sejam constantes, inclusive para que a gestão seja avaliada, se considerarmos o grande número de novos gestores no início dessa nova gestão da universidade.
Os docentes devem se sentir estimulados a propiciar momentos de avaliação do processo de ensino em seus programas de disciplina, compatíveis com o dinamismo do processo ensino-aprendizagem que requer, muitas vezes alteração de rota e de contratos, para que os objetivos traçados sejam alcançados, sem prejuízo dos momentos abertos e estimulados pela instituição.
O fortalecimento e qualificação do processo, na avaliação da Apropucc, deve se sobrepor aos resultados em si da avaliação.
A Apropucc, de forma coerente com sua história, continua firme na defesa da importância da existência e consolidação de uma política de avaliação de ensino conseqüente, que valorize as experiências de ensino aprendizagem de forma crítica, reflexiva e comprometida, dos sujeitos envolvidos com o processo avaliativo, tomando como referência um perspectiva formativa ampla que, para muito além das competências conferidas pelo estatuto profissional, seja capaz de promover as transformações necessárias para o atendimento às necessidades da maioria da população.
APROPUCC
